As Fadas

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images_7 Num conto como a bela adormecida, temos a história de um rei e uma rainha que convidam as fadas para o baptizado de sua filha. As fadas vêm e fadam. Cada uma dá a menina um dom qualquer, até que a fada malvada (não convidada para a festa) invade o castelo e fada a menina com a morte…

A fada é um ser mitológico, característico dos mitos célticos, anglo-saxões, germânicos e nórdicos. Mas o que mais há a saber sobre as fadas?

As imagens do mito jamais podem ser uma representação directa do segredo total da espécie humana, mas apenas o propósito de uma atitude, o reflexo de uma posição, uma postura de vida, uma maneira de jogar o jogo. E onde as regras ou formas de tal jogo são abandonadas, a mitologia dissolve-se e, com a mitologia, a vida.”

Joseph Campbell em As Máscaras de Deus (Mitologia Primitiva)

Origem da Palavra

Como acontece com palavras muito antigas e de uso diversificado, a palavra fada oferece grandes dificuldades quanto a sua etimologia. Os pesquisadores de tendências clássicas procuram associá-la ao termo pher usado por Homero para designar os centauros. A palavra inglesa para fada é fairy. Acredita-se que esta palavra venha do persa peri. Ao que parece, os cruzados entraram em contacto com este termo através do árabe que, como se sabe, não possui a letra p, substituíndo-o por f quando tem necessidade de escreve-la. Assim, em árabe, peri tornou-se feri e deste modo veio para Europa, trazida pelos cavaleiros da cruz e peregrinos. Considera-se como apoio a esta interpretação o facto de fada Morgana, tão celebrada no romance medieval, ser a mesma merjan peri, muito conhecida nos contos populares do oriente.

Jinny_Joe_Fairy A palavra fada, tal como aparece nas línguas românticas: fae, fee (francês), fada (português), hada (espanhol) e fata (italiano) têm a sua origem na palavra latina fatum (destino). No quarto século de nossa era, encontramos essas palavras usadas no plural feminino e equivalente às parcas (divindades relacionadas com o destino). No reverso de uma medalha de ouro do imperador Diocleciano encontram-se três figuras femininas com a seguinte legenda: fatis victricibus. Uma estaca funerária, encontrada em Valencia, Espanha, possui, num de seus lados a inscrição: fatis q, fabius ex voto e, do outro lado, três figuras femininas com os atributos das parcas.
Na idade-média encontra-se o uso, em latim, do verbo fatare com o sentido de encantar. Este verbo foi adoptado com o mesmo sentido pelo italiano, provençal, espanhol e português. Na nossa língua, usa-se o verbo fadar com o sentido de dar um destino bom ou mau; daí o adjectivo fadado para indicar uma pessoa marcada pelo destino.

É com esta ideia de trazer um destino que as fadas aparecem nos contos populares. Num conto como a bela adormecida, temos a história de um rei e uma rainha que convidam as fadas para o baptizado de sua filha. As fadas vêm e fadam. Cada uma dá a menina um dom qualquer, até que a fada malvada (não convidada para a festa) invade o castelo e fada a menina com a morte. Por fim a última fada consegue abrandar a terrível profecia dizendo que a princesinha, aos quinze anos, feriria o dedo numa roca de fiar e adormeceria por muitos anos até que chegasse um príncipe para despertá-la. O mesmo acontece com a gata-borralheira (Cinderela). Quando a mãe de Cinderela morreu, entregou-a a uma fada que se tornara sua madrinha. A Cinderela, na casa da madrasta está impedida de cumprir o seu destino: casar-se com o príncipe. No clímax do relato, no momento em que a situação da personagem se torna angustiante, surge a fada madrinha que, por meio de encantamentos facilita a realização do destino que lhe estava reservado.

A questão, entretanto, não fica resolvida com essas colocações. As questões etimológicas são sempre muito difíceis e, não raro, insolúveis. Assim, a palavra fada transita numa espécie de região brumosa, envolta em mistério como os seres que ela designa.

A Origem das Fadas

A primeira resposta que surge a esta questão é a do animismo. Os povos primitivos costumam atribuir aos efeitos naturais uma causa sobrenatural e, ao mesmo tempo, julgam que todo o universo é habitado por almas ou espíritos que se incumbem de proteger um determinado objecto, um certo lugar etc. deste modo, para esses povos, há espíritos que exercem sua ação protectora sobre os lagos, os rios, os bosques, as árvores e, até mesmo a humilde plantinha que cresce na sombra de um poderoso carvalho, pode ter seu espírito protector.

Os gregos e os romanos que não eram de modo algum povos primitivos, também tinham crenças muito semelhantes. Acreditavam, por exemplo, que as erupções do Etna ou do Estromboli eram causadas por Tiphon e Vulcano. Os gregos consideravam a via-lactae como leite derramado dos seios rainha do céu; Zeus, na hora das tempestades, atirava seus raios contra a terra; Poseidon era responsável pelas tempestades no mar; Éolo guardava no fundo de uma caverna os ventos tumultuosos e, assim, por diante.

Deste ponto de vista (ponto de vista animistas) as fadas são, como os deuses e outros espíritos da natureza, produtos da imaginação popular que a tradição conserva e enriquece através da acção dos bardos e dos contadores de histórias em geral.
No mito nórdico explica-se a origem dos espíritos do seguinte modo: quando o gigante Yamir morreu, de seu cadáver, emergiram milhares de vermes. Esses vermes, imediatamente, se transformara em espíritos uns positivos (espíritos da luz) e outros negativos (espíritos das trevas). O primeiro grupo das quais as fadas fazem parte, é formado por espíritos benignos e felizes. O segundo grupo que vive em regiões subterrâneas, é formado de seres malévolos que personificam o espaço maldito das coisas e seres demoníacos que se opõem à divindade.
Noutros lugares, as fadas são tidas como anjos caídos ou mortos sem baptismo mas não suficientemente maus para irem para o inferno e que se comprazem no mal. São temidos pelo perigo que representam para os homens. Nas terras geladas, temos uma outra versão para o surgimento desses seres. Conforme essa versão, Eva, a nossa primeira mãe, estava banhando seus filhos nas águas do rio quando deus falou com ela. Apavorada com a voz divina, ela escondeu os filhos que não havia lavado. Deus, então, perguntou-lhe se todos os seus filhos estavam ali. Ela respondeu que sim, deus ouvindo isso, falou: os filhos que escondeste de mim, serão, também, escondidos dos homens. Foi desse modo que os filhos de Eva havia escondido se transformaram em elfos, gnomos e fadas.
No folclore da Escandinávia, estes espíritos (as fadas) são conhecidos como huldre. As moças huldres são excepcionalmente belas mas possuem caudas semelhantes à das vacas e, ás vezes, orelhas pontiagudas, e são forçados a viver para sempre nas regiões crepusculares, sem sofrerem as torturas infernais nem gozarem as delícias do paraíso. Em Devon, os elfos são considerados almas de crianças pagãs. Estas crenças são recentes e originam-se da tradição cristã pois o baptismo sendo desconhecido (o baptismo nos moldes cristãos) antes do cristianismo, não poderiam dar origem a tais ideias. As fadas, porém, como já vimos são muito mais antigas e precedem ao cristianismo de alguns milénios, existindo sob muitas formas e nas mais diferentes partes do mundo.

O Reino das Fadas

Cottingley_fairies Tradicionalmente, as fadas vivem num reino próprio: o reino das fadas. Sua localização é, naturalmente mítica, entretanto, houve época em que a possibilidade de localizá-lo geograficamente foi considerada. Os habitantes do país de Gales, por exemplo, julgavam que ele ficava ao norte de suas terras montanhosas ou nas misteriosas rochas localizadas na parte ocidental de Pembrokeshire. Mais tarde, deslocou-se o reino da fadas para ilha que fica no canal irlandês, fora das costas de Pembrokeshire.
Em muitas lendas, principalmente as dos povos marítimos, o reino das fadas fica localizado em ilhas flutuantes como a de São Brandão. muitos marinheiros juram ter visto tais lugares e, nessas ocasiões, descem de seus navios para alcançá-lo; mas eles desaparecem como que por encanto. Conta-se também que os habitantes do reino das fadas poderiam viver entre nós como pessoas comuns e muitas pessoas juravam tê-los visto frequentando os mercados da Alughorne e Milford Heven.

Avalon é, provavelmente, o mais famoso reino das fadas da literatura ocidental. É descrito como um lugar maravilhoso onde vivem diversas fadas entre elas destacando-se a figura impar de Morgana, a irmã do não menos lendário rei Arthur, Avalon parece ser uma ilha situada em qualquer lugar no meio do oceano e, assim, guarda profundas afinidades com a ilha de Ogigia ou com o reino da Circe, citados por Homero na Odisséia. Segundo algumas versões, Avalon possui uma espécie de bruma que a envolve, escondendo-a dos olhos humanos. Há, porém, outras versões as que dizem ser Avalon uma ilha extremamente clara (Avalon a branca) mas que não se revela facilmente aos olhos profanos. Avalon é muitas vezes confundida com a ilha de vidro ou de ar. A referência a esses elementos, vidro, ar, etc., dizem respeito à necessidade de proteger esses lugares dos não iniciados. Há inclusive a ideia de que lugares como esses são cercados por muralhas de fogo o que evita a aproximação daqueles que não são qualificados para entrar em contacto com todos os centros de energia.
O nome Avalon, entretanto, pode ser explicado a partir do cimérico afal, palavra que significa maçã, assim, Avalon significaria ilha das maçãs. Essa versão lembra, na mitologia grega, a ilha das Hespérides (ilha para além do oceano) onde havia um jardim no qual estava plantada uma árvore cujos pomos eram de ouro. A conquista desses pomos consistiu-se em um dos trabalhos do famoso herói grego Hércules.
Conforme outra versão, a ilha de Avalon (ilha branca) nada mais seria do que a ilha de Apolo, deus que, na língua dos celtas, é chamado de ablum ou belen. Deste ponto de vista, Avalon seria uma espécie de terra solar ou reino de Apolo hiperbóreo.
Numa coisa, contudo, todas as tradições parecem concordar: Avalon é uma terra paradisíaca. Lá não há frios excessivos nem seca prolongada, reina sempre uma eterna primavera. Nessa ilha não se envelhece, não se adoece, não se morre. Todas as plantas crescem naturalmente sem a necessidade de se trabalhar a terra e as árvores exibem frutos maduros e saborosos.

O lugar preferido pelas fadas, entretanto, são os montes. A palavra galesa para fada é sidhe. Que significa povo das montanhas. À noite, nos montes das fadas são vistos, muitas vezes, luzes cintilantes. Algumas vezes, nota-se sobre os montes uma procissão de fadas que se desloca de uma colina para outra. Essas coisas acontecem tradicionalmente na noite de sete de Agosto. No topo dos montes das fadas, existe sempre um castelo, visível apenas àqueles a quem as fadas por razões especiais, permitem a visão. Quando as fadas desejam ocultar-se, por mais que se olhe nada se verá sobre o monte. Havia um palácio desses no topo do monte de Glastonbury-tor. Conforme um antigo relato, esse castelo foi visitado por S. Collen. A visita deu-se do seguinte modo:

S. Collen era um eremita que havia construído o seu lar no pé do monte Glastonbury-tor. Um dia, ele ouviu dois homens conversando sobre o rei das fadas que possuía um palácio ali por perto. O santo eremita pediu aos homens que não continuassem com aquela conversa pois estavam falando sobre demónios. Os homens ficaram muito amedrontados e preveniram-no de que o rei das fadas tomaria as suas palavras por insulto e, em breve, o procuraria para tomar satisfações. Não demorou muito e um estranho visitou-o, pedindo que o acompanhasse até ao castelo do rei das fadas. Por três vezes, S. Collen recusou o convite até que, em face da insistência do homem, resolveu partir com ele mas levou consigo, sob o hábito, um frasco de água benta. Ao chegar ao cume do monte, o santo viu um magnífico castelo todo iluminado de onde vinham sons maviosos. Entrou no castelo e, no seu interior, encontrou um opulento banquete, servido por jovens de rara beleza vestidas de vermelho e azul. O rei das fadas ofereceu a S. Collen comida e bebida mas o santo eremita replicou: eu não comerei das folhas das árvores. O rei, então, perguntou se ele não se admirava da cor da roupa de seus serviçais. O monge, altivamente, respondeu que a cor vermelha lembrava-lhe as chamas eternas e o azul, o gelo pavoroso das regiões infernais. Imediatamente, S. Collen atirou água benta sobre o rei e seus serviçais. As luzes se apagaram e a música maravilhosa que se ouvia por todo o palácio cessou por completo.
Tudo desapareceu: o rei, seus auxiliares e o próprio castelo. S. Collen ficou sozinho sobre o monte onde só se ouvia o barulho dos ventos e nada mais.

Segundo os mitos, nesses montes, as fadas também costumam guardar tesouros. Homens ambiciosos, escavando os montes onde existem fadas, são frequentemente perturbados por vozes estranhas, sons apavorantes e tempestades inesperadas. Se essas advertências são ignoradas, a má sorte, a calamidade e até a morte poderão sobrevir contra o violador. O reverendo F. Warner na sua acta de 1854, conta o caso de alguns homens que, ansiosos para encontrar um tesouro, foram cavar num local chamado castelo Neroche em Somerset:

Antes que encontrassem uma única moeda, foram tomados por grande pânico e renunciaram a sua empreitada. Estes homens, depois de um mês, tiveram morte violenta, pagando com a vida a sua ousadia. Não se pode ainda que por descuido, invadir um local eleito pelas fadas para sua moradia. Aquele que, por exemplo, sem o saber, construir sua casa em um terreno habitado por fadas, correrá o grande risco pois esses seres são capazes de mover as casas do lugar, derrubá-las e criar incríveis perturbações aos moradores incautos.

O convite para se visitar o reino das fadas deve ser encarado com extremo cuidado, principalmente, com respeito à alimentação ali servidas. A comida e a bebida oferecida pelo povo encantado deve ser recusada pelo ser humano (lembremo-nos da recusa de S. Collen) porque aquele que fizer uso do alimento mágico, jamais deixará aquele lugar. A ideia do alimento mágico aparece no mito grego de Hades e Perséphone. Hades, o senhor dos mortos, raptou Perséphone, a filha de Deméter, e levou-a para o mundo das sombras. Deméter, desesperada, procura a filha por toda a parte, mas inutilmente. Quando, por fim, encontra Perséphone no reino dos mortos, não pode mais resgatá-la pois esta já comeu sete bagos da romã do mundo subterrâneo, e, por isso, não poderá sair dali.

A Música das Fadas

Diz a lenda que as fadas são excelentes musicistas e a sua música possui especial magia e muitas canções, hoje conhecidas no mundo dos homens, têm a sua origem no mundo das fadas. Esses espíritos são fascinados por música e os músicos humanos de grande habilidade correm o risco de serem raptados por esses seres e levados ao seu reino para que seu talento seja apreciado por uma corte de fadas e outros seres espirituais. As melodias das fadas são marcadas por um som plangente mas selvagem que, a um tempo, encanta e seduz. A pessoa que tiver o infortúnio de escutar esses sons mágicos, sentirá, inicialmente, uma grande sensação de paz, até que adormece para não mais despertar. Seus instrumentos principais são: a flauta, a gaita, o violino e outros instrumentos fantásticos desconhecidos dos seres humanos.

A Justiça das Fadas

As fadas, muitas vezes, usam seus poderes para premiar os bons e castigar os maus. Há uma velha lenda irlandesa que é um bom exemplo da justiça das fadas. O relato fala-nos de Lusmore, um infeliz corcunda que morava numa aldeia junto ao monte Gloomy Galtes:

Lusmore, por ser muito feio, era objecto da hostilidade geral. As pessoas maldosas inventavam histórias terríveis sobre ele mas, em verdade, Lusmore era um homem sensível e de bom coração. Passava os dias, solitários, tecendo palha e junco para fazer belos chapéus e cestos cujo preço era sempre o mais barato do mercado.
Uma tarde quando Lusmore voltava para casa, vindo da aldeia de Chair, parou um pouco para descansar. sentou-se na erva verde e ficou admirando, lá ao longe, o céu que se unia com as montanhas azuis. Nisto ouviu-se uma bela música, acompanhada de cantos maviosos. A melodia era tão cativante que Lusmore ouvia atentamente com a alma elevada.
Depois de ouvir a canção por alguns momentos, Lusmore levantou-se e caminhou na direção de onde vinham os sons. Não demorou muito, viu, numa espécie de depressão o povo das fadas cantando e dançando. A letra da canção era repetida, embora monótona. Lusmore, que era muito sensível à música, entrou no grupo das fadas, acrescentando versos novos à velha canção. As fadas ficaram muito bem impressionadas com a variação feita por Lusmore, elogiaram o seu talento e a sua habilidade poética. O líder do grupo aproximou-se, então, do corcunda e, passando-lhe a mão pelas costas, curou-lhe a deformidade, dizendo: de agora em diante, Lusmore não precisa mais carregar nas costas esta horrenda corcunda.
Imediatamente, Lusmore sentiu uma desacostumada leveza nos ombros. Olhou em torno e notou maravilhado que, pela primeira vez, podia mexer com a cabeça em todas as direcções. Admirado, notou que era um outro homem. De repente, sentiu um peso nos olhos e caiu em sono profundo. Quando acordou – maravilha das maravilhas – estava vestido com magnífica roupa, toda branca que, por certo, era presente das fadas. Não mais a corcunda nem a feiura que o tornavam tão infeliz. Lusmore era, agora, um homem belo e garboso.
Não muito tempo depois, quando a história de Lusmore já era bem conhecida, uma velha procurou-o, pedindo detalhes de sua cura maravilhosa porque um amigo seu, que era corcunda, estava interessado em tentar o mesmo tratamento. Lusmore, que tinha um bom coração, descreveu com detalhes o que lhe havia acontecido. A mulher agradeceu e foi para casa. No outro dia, ela contou ao seu amigo a história de Lusmore e os dois foram juntos ao local onde Lusmore havia assistido a dança das fadas.
Jack Maden, este era o nome do corcunda amigo da velha, era um corcunda astuto, maldoso e extremamente rabugento. Assim que chegaram ao lugar onde Lusmore ouvira a música, notaram que as fadas estavam lá cantando e dançando. Tão apressado estava Jack Maden de ficar livre de sua corcunda que nem pensou se aquele era o momento adequado para cantar a sua variante e irrompeu pelo meio das fadas, cantando com voz esganiçada. Jack Maden pensava que, se a primeira variante havia sido tão bem recebida, a segunda seria acolhida melhor ainda e, se Lusmore ganhara uma roupa nova, por certo ele ganharia duas.
As fadas, entretanto, ficaram muito zangadas com aquela intromissão e, atirando o intruso ao chão, cercaram-nos com gritos clamorosos e estridentes. Por fim, um dos membros da comunidade disse: Jack Maden ficamos tão mal impressionados com a sua canção que você sairá daqui com duas corcundas.
Imediatamente as fadas, usaram a corcova de Lusmore e a colocaram nas costas de Jack Maden onde ficou tão firme como se houvesse nascido ali. Deste modo, no dia seguinte, o pobre Jack Maden foi encontrado com as duas corcundas e muito mal tratado. Jack Maden não demorou muito e morreu sob o peso das duas corcovas.

O Anel das Fadas

Diz-se que as fadas, às vezes, costumam dançar em circulo sobre a erva verde, em baixo de velhos carvalhos ou em vales floridos, esta dança é chamada de o anel das fadas. A visão desse espectáculo é muito perigosa para o ser humano. O suave encantamento da música das fadas, seduz e arrasta o espectador para dentro do anel.
Ali comem ou bebem o alimento mágico, tornando-se, assim, para sempre escravos desses seres sobrenaturais. A dança das fadas é um saltitar selvagem que lembra um pouco o ditirambo do culto de Dionisio. a dança parece durar apenas uma ou duas horas, mas o tempo real de duração é de sete anos.

O Carácter das Fadas

As fadas parecem-se muito com os seres humanos e tanto podem ser más como boas. As más são frívolas, perversas, comprazendo-se em trazer perturbações para o homem. As boas mostram-se gentis, amigas e dispostas a colaborar com as pessoas com quem simpatizam. Em tempos imemoriais, porém, as fadas eram consideradas extremamente perigosas. Muitas mortes de animais, perda de colheitas, chuvas de granizo, morte de pessoas, epidemias e até mesmo o sarampo e outras doenças menores eram atribuídos às fadas. A tuberculose, doença avassaladora entre os povos antigos tinha por causa, segundo a imaginação popular, visitas nocturnas que o doente fazia à colina das fadas onde tinha as suas energias sugadas. A paralisia infantil, as deformidades com ser corcunda ou coxo, eram também entendidas como males trazidos por fadas; e não era só isso: o desaparecimento de objectos, irritações do dia a dia, insónia ou pesadelos eram tidos como produtos das estripulias das fadas.

Naturalmente, os seres humanos deveriam ter alguns recursos para impedir a acção nefasta desses seres que lhe poderiam causar tanto e tão variados aborrecimentos. Esses recursos, obviamente, eram também mágicos. Conta-se entre esses elementos apotropaicos: a faca de ferro colocada no vão da porta, tesoura aberta sob o travesseiro, unha no bolso, sinos, a bíblia, água corrente, pão, crucifixo, cruz, sal grosso, ferraduras, hóstias, águas benta, pano de linho no soalho, meia debaixo da cama, faca sob o travesseiro, cabeça de porco ou um pentagrama atrás da porta e erva de S.João.

A Fada no Conto Tradicional de Encantamento

153869551_92a619545c Nos contos tradicionais que estamos acostumados a ouvir as fadas são diferentes de tudo o que vimos até aqui. Na tradição não cristã, aplica-se o nome fada a todos os espíritos da natureza, incluindo enorme variedade de seres dos mais variados tipos e aspectos que vão, desde pequeninos espíritos alados que vivem nos bosques até os espíritos perturbadores que assombram a casa dos homens.
Nos nossos contos de fadas, essas personagens, depuradas pelo cristianismo, aparecem com uma única e bem definida forma: são mulheres brancas, de feições finas, cabelos louros que caem em cascatas sobre seus ombros. Vestem vestidos belíssimos bordados de ouro e de prata. Na cabeça usam chapéus em forma de cone, muito semelhantes aos da bruxa o que acentua, naturalmente o parentesco entre elas. Nas mãos trazem uma pequena vara (varinha de condão) com a qual executam as suas magias.
A presença da varinha de condão é outra analogia entre as fadas e as bruxas pois os feiticeiros também costumam usar certos tipos de varas, cajados etc.

As fadas possuem extrema habilidade nos trabalhos manuais; daí a expressão para designar uma mulher muito hábil em trabalhos femininos: fulana tem mãos de fada ou é fada do lar.
As fadas dos cantos de encantamento são, em geral, muito boas, prestimosas, amigas dos homens e, muitas vezes aceitam ser madrinhas das crianças comuns. As crianças amadrinhadas pelas fadas crescem acompanhadas por elas que as auxiliam nos momentos difíceis de suas vidas. É interessante notar que, se as fadas aceitam ser madrinhas de uma criança, esse baptizado não se faz nas igrejas; isto porque a tradição cristã reconhece o carácter pagão desses seres, o que os torna incompatíveis com os cerimoniais da religião cristã.

Assim são fadas: seres da natureza, brincalhões ou malévolos, mulheres maravilhosas, idealizações do feminino positivo mas, antes de qualquer coisa, mitos. É esta dimensão mitológica que as torna tão arreigadas na mente humana e persistentes nas tradições dos mais diversos povos.
Desse modo, não é de se estranhar, portanto, que os contos de fada, apesar de sua antiguidade, continuem a resistir e a se impor como um tipo de narrativa sempre contada. No cinema, nas histórias de banda desenhada, os contos de fadas retornam com novas energias e novo vigor como uma fénix que renascesse das próprias cinzas. Este fato se deve aos elementos arquetípicos presentes nos contos maravilhosos elementos esses profundamente entranhados no inconsciente colectivo, parte essencial da bagagem psíquica do homem na sua viagem pelo planeta terra. As fadas, os príncipes encantados, as bruxas, as terras maravilhosas, os reis, os gigantes são morfemas míticos básicos para a existência do homem, este animal criador de símbolos, de sonhos, de mitos e de ilusões.

Artigo de José Carlos Leal

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