Branca de Neve desmistificada

BRANCA DE NEVE E OS 7 ANÕES

A famosa história da Branca de Neve e os Sete Anões tem feito as delícias da criançada ao longo de gerações e é, seguramente, um dos mais famosos contos de fadas do mundo.

Além de ser um dos meus desenhos animados favoritos, ou não fosse o primeiro que vi no cinema, sabemos que é uma história que tem um papel importante social tendo catapultado a Disney para o império que hoje vemos na indústria do cinema e das corporações. Na realidade, não foram o Mickey ou o Donald que levaram a Disney ao mundo, mas sim esta cândida e pálida donzela, de cabelos pretos e lábios rúbeos, cujo maior pecado foi ser mais bonita que a sua madrasta.

Haverá mais sobre esta história que nem todos sabem?

Que FACTOS estão escondidos por detrás deste conto?

Ao contrário do que muitos possam pensar a origem deste conto de fadas é mais longínquo no tempo do que a formação dos Estados Unidos da América, o que o torna repescado pela Ao contrário do que muitos possam pensar a origem deste conto de fadas é mais longínquo no tempo do que a formação dos Estados Unidos da América, o que o torna repescado pela Disney aos seus autores originais: os irmãos Grimm. Os irmãos Grimm coleccionavam e registavam histórias populares do folklore europeu durante o início do século XIX, algumas delas tão antigas como a Idade Média. Se em 1937 a Disney lança o seu filme animado, a história existia registada já desde 1812 e, como todas as histórias dos irmãos Grimm referia-se a um mito europeu que possuía um misto de verdade e uma intensidade que se perdeu com a adaptação animada.

A história da Branca de Neve original

Usando o título original alemão, Schneewittchen era uma bela menina de 16 anos, órfã de mãe, cuja madrasta invejava a beleza e a candura. A inveja era de tal ordem que dá início a uma horrenda perseguição de morte onde a jovem sofre, não duas, mas quatro, tentativas de homicídio.

Segundo parece, um espelho mágico dissera à madrasta que a mais bela das mulheres era a Branca de Neve e, para ela, isso era intolerável. Num acesso de raiva a madrasta espanca a jovem Branca de Neve e leva a miúda para o bosque. Nesta primeira tentativa de homicídio, prende-a a uma árvore esperando (e dizendo-lho) que morresse esventrada pelos lobos e animais da noite como ela merecia.
A rainha má e sem coração regressa ao palácio certa de que a jovem não iria sobreviver a uma só noite, porém esta é salva por pequenas figuras atarracadas, anões aparentemente, que eram bem mais do que apenas sete.

Numa reunião de anões é decidido que Branca de Neve poderia receber protecção deles se, e apenas se, cozinhasse para todos eles e lhes limpasse a casa. Uma das regras do disfarçado encarceramento seria que ela poderia apenas abandonar a casa para colher plantas e ingredientes para os cozinhados.
Quando o espelho insistiu em dizer que a jovem se mantinha a mais bela de todas, a rainha enviou um caçador furtivo, que a história dá a entender ter sido o assassino da mãe biológica de Branca de Neve. A invejosa madrasta é específica na prova de morte que exige: ela quer que este lhe arranque os pulmões e o fígado, não o coração, e os traga num frasco. Quando o caçador assassino encontra a miúda no bosque a colher ervas tem um acesso de culpa, provavelmente porque a miúda é órfã por sua causa. Decide então enfrascar os pulmões e o fígado de um veado e leva-os à rainha. Satisfeita, a rainha, come os órgãos directamente do frasco afirmando que isso lhe trará a juventude da falecida. Após perceber, através do espelho falante, que a sua enteada se mantém viva a rainha disfarça-se de saltimbanco. Habitualmente eram estes que levavam as modas de terra em terra e consegue convencer a Branca de Neve a ser penteada por si. Desta vez a rainha quase tem sucesso na tentativa de assassinato, mas os anões chegam na altura certa e a rainha disfarçada foge. Contudo, ia satisfeita, levava cabelos da jovem e isso ir-lhe-ia permitir a última das maldades. Usando artes mágicas de necromancia a rainha usa os cabelos para enfeitiçar uma maçã que lhe prendesse a energia vital. No dia seguinte, disfarçada agora de velha indefesa, a rainha pede ajuda à jovem para que pudesse descansar e recuperar as forças. Em sinal de agradecimento entrega-lhe a maçã envenenada e enfeitiçada.

Quando os anões chegam a casa encontram a jovem sem vida e, de alguma forma, preparam-lhe um caixão com tampa de cristal, para a velarem à porta de sua casa durante toda a noite.
Numa história de princesas há sempre um príncipe, que naquele dia ali passava e se enamorou imediatamente pela bela jovem que havia falecido. Considerando que os anões não eram capazes de lhe oferecer um enterro digno de uma princesa prontificou-se a levar o caixão com a sua comitiva, enquanto os anões preparavam a vingança em nome de bela donzela perseguida e assassinada.

No caminho para o castelo do príncipe o caixão sofre um acidente de percurso que o abana violentamente, mas isto fez com que o pedaço enfeitiçado que estava alojado na garganta da jovem lhe salte boca fora. Infelizmente, para muitos românticos, a última vez que vemos a Branca de Neve não é a beijar o príncipe, mas sim a vomitar copiosamente a maldade do feitiço nas mãos do benevolente príncipe.

Por fim, no dia em que a rainha descobre que Branca de Neve se mantém viva e num reino vizinho sob a protecção de um príncipe com quem iria casar esta corre enraivecida pelos jardins do palácio onde é capturada por um sem número de anões que, por vingança, a obrigam a calçar uns sapatos de ferro em brasa e se divertem enquanto esta ‘dança’ até à morte.

 

E… viveram felizes para sempre!?

FACTOS: A verdadeira história que inspirou o conto

 

Em 1994, o historiador alemão Eckhard Sander publicou o livro Schneewittchen: Marchen oder Wahrheit? [Branca de Neve: Será um conto de fadas?] e mostrou onde os irmãos Grimm haviam inspirado a sua história. Segundo ele, a vida de Branca de Neve baseia-se na história real de Margaret von Waldeck, uma condessa filha de Filipe IV que, em 1533 com 16 anos de idade se viu forçada pela madrasta, Katharina de Hatzfeld a deixar o castelo e refugiar-se em Wildungen, Bruxelas. Ali, Margaret noivou um príncipe que viria mais tarde a tornar-se Filipe II de Espanha. Como este amor era inconveniente, politicamente falando, o Rei de Espanha em conluio com a madrasta arquitectaram várias tentativas de assassinato. Margaret viria a morrer aos 21 anos, envenenada por uma maçã, aparentemente.
Então e os anões? O pai de Margaret detinha várias minas de cobre e cristais onde empregava imensas crianças do sexo masculino, por serem mais fáceis de alimentar e exigirem túneis mais pequenos. Em geral, estas crianças trabalhadoras dificilmente sobreviviam até à idade adulta, porém os poucos relatos disso acontecer falava de ficarem disformes, subnutridos, atarrecados e eram referidos pelos ‘pobres anões’. Segundo estudos levados a cabo por um grupo de historiadores em Lohr na Bavaria, os irmão Grimm remataram os detalhes da história com os acontecimentos registados no folklore de Maria Sophia von Erthal, nascida a 15 de Junho de 1729 em Lohr am Main, Bavaria. Maria era filha do príncipe Philipp Christoph von Erthal e da baronesa de Bettendorff. Após a morte a baronesa, o príncipe casou com Claudia Elisabeth Maria von Venningen, condessa de Reichenstein, conhecida como ‘mata-enteados’.

O castelo onde viveram, hoje um museu, albergava um espelho conhecido pelo ‘Espelho Falante’: um brinquedo acústico que ‘falava’, visitável no O castelo onde viveram, hoje um museu, albergava um espelho conhecido pelo ‘Espelho Falante’: um brinquedo acústico que ‘falava’, visitável no Spessart Museum. O espelho, construído em 1720 pela Mirror Manufacture of the Electorate of Mainz in Lohr, pertencera directamente à madrasta de Maria.
Também esta família estava envolvida com mineiros da cidade de Bieber que se encontra entre sete colinas. Os túneis destas minas são conhecidos por serem demasiado pequenos para mineiros adultos e, curiosamente, as crianças que eram obrigadas a entrar neles usavam uns capuzes de cores garridas que lhes distinguiam as idades.
Por fim, este grupo de estudo histórico de Lohr afirma que o facto de o caixão possuir uma tampa em vidro se refere ao facto de toda a zona ser conhecida pela qualidade dos seus vitrais e trabalhos em vidro, sendo ainda comum hoje em dia os caixões possuírem uma tampa temporária em vidro durante o tempo de velório.

É juntando as peças de um puzzle que se aprende!

Não quero destruir-lhe as suas memórias de infância, mas saber não ocupa lugar e, certamente, hoje já possui clareza de mente, abertura de espírito e vontade de perceber a VERDADEIRA ORIGEM DAS COISAS.
Infelizmente para um sector criativo das novas modas ‘namastê‘ dos dias de hoje, os anões não representam qualquer mensagem subliminar referente aos sete chakras até porque os famosos sete chakras são outra das fábulas modernas do ocidente, como pode já ter aprendido ao acompanhar o Canal Portugal Místico. Na verdade, o sistema que é usado hoje por todo o ocidente não deriva do sânscrito nem tem origem nos vedas de todo. A origem está num texto do século XIII, o Śāradā-tilaka (Sarasvatī’s Ornament), que apresenta uma série de sistemas chakricos dando maior relevância aos sistemas de 12/16 chakras. Mais tarde, no século XVI, este texto é revisto num trabalho de Pūrṇānanda que, em 1918, o britânico John Woodroffe traduz grosseiramente e publica. Mas isto é todo um outro conto de fadas que oportunamente discutiremos…

Por hoje ficamo-nos pela Branca que não era de Neve e os seus anões que eram mais do que sete e que, provavelmente, se chamava Margarete ou Maria Sophia.

Mas não acredite em nada que leu…
Investigue!

[CONTRA FACTOS…]

Uma rubrica escrita em tom de crónica mordaz baseada em factos que pretendem oferecer uma visão mais realista sobre a verdade das coisas. Na era da informação a ignorância é uma escolha!

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