Mitos da Origem dos Signos I

Os signos do zodíaco ocidental possuem uma origem que se perdeu no tempo e nas eras idas. Todavia, muitos autores discutem, debatem e comentam os vários mitos da origem de cada um destes 12 signos da astrologia dita ocidental.

Neste primeiro artigo podemos ver os mitos mais considerados sobre os seis primeiros signos: Carneiro, Touro, Gémeos, Leão, Caranguejo e Virgem.

aries

Áries (Carneiro)

Primeiro signo associado à primavera, o mito do Carneiro envolve uma tragédia. O carneiro de pêlo dourado – o Velocino de Ouro – nasceu da união de Poseidon com a filha de um rei. O carneiro é lembrado por ter levado pelo ar os irmãos Frixo e Hele (filhos do rei da Beócia, Atamas ou Atamante) até o Helesponto. Algumas fontes dizem que o carneiro deixou cair Hele quando chegou perto da Ásia; outros autores dizem que Poseidon raptou a princesa – para uma união sagrada com o deus – e que esta teria tido filhos desta união. Depois que Frixo chegou à Cólquida, sacrificou o carneiro a Zeus e pendurou a sua pele de penugem dourada no altar do templo. Algumas fontes dizem que a mãe de Frixo e Hele colocou o carneiro entre as estrelas mas nem todos os autores concordam com esta versão.
Mais tarde a pelugem dourada deste carneiro seria objecto da busca de Jasão e dos Argonautas. Intérpretes contemporâneos associam o mito ao costume de sacrificar o filho do rei em tempos de fome e seca, como se sacrificava o carneiro a Zeus, animal que lhe é dedicado. O sacrifício era feito na primavera para que a colheita não ficasse comprometida, meses mais tarde.
O mito tenta apaziguar a tristeza dos pais pela perda de seus filhos, ao mesmo tempo em que indica a passagem possível de sacrifícios humanos aos deuses para sacrifícios animais. A origem da ida dos irmãos para o Helesponto, montados no Velocino de Ouro, envolve o desentendimento entre o rei Atamas e suas esposas, Nefele e Ino, onde esta tramou contra as crianças temendo a sucessão; Nefele, para salvá-las, colocou-as sobre o carneiro e transformou-se em nuvem para ocultá-las.
No final, Ino prevalece sobre Nefele e somente a deusa Hera será capaz de destruí-la.

taurus2Touro

Uma das versões do mito relaciona-se, segundo alguns autores, com a paixão que a princesa Europa, da Fenícia, despertou em Zeus. Para aproximar-se dela, o deus do Olimpo transformou-se num touro de rara beleza cujo hálito recendia a açafrão. Quando Europa se sentou sobre ele, o touro voou sobre os mares, levando-a até Creta. Outras versões associam a sacerdotisa de Hera, chamada Io, com Zeus. Hera, enciumada da paixão que Io provocou em seu marido divino, transformou-a numa vaca errante, sempre atormentada por um moscardo que a perseguia, sempre observada pelo monstro Argos, o de muitos olhos. Como havia sido transformada em vaca, para fazer amor com ela Zeus tinha que transformar-se em touro pedindo a Hermes que matasse o monstro, e assim pôde encontrar-se com Io à vontade. O romance de Io e Zeus parece ter sido o início dos sucessivos adultérios do deus depois de casado com sua esposa e irmã Hera.
Outras versões asseguram que um dia, às margens do Nilo, Io pediu a Zeus que pusesse fim ao seu penar; Zeus transformou-a novamente em mulher e uniu-se a ela. Mais tarde, desta união sagrada nasceu Épafos, que se tornou rei do Egipto e que, em algumas versões, seria o próprio deus egípcio Ápis.
Com relação à constelação de Touro, há também o mito das cinco Hiades, filhas de Atlas que, entristecidas com a morte de seu irmão, haviam morrido e subido aos céus. Outro mito relacionado envolve a constelação das Plêiades, sete meio-irmãs das Híades, que se mataram em honra destas, segundo algumas versões. Casadas com deuses, tiveram muitos filhos envolvidos em lendas. Uma das Plêiades, Electra, a estrela menos brilhante, depois de ver o massacre e o exílio de seus descendentes em Tróia, saiu por vontade própria da constelação, em sinal de pesar.
Electra move as Plêiades em seu movimento circular em torno do pólo, onde, sem sua cabeleira, pode ser vista na sua tristeza – nesse estado é chamada de Cometes (“cabelos longos”). Os romanos chamavam as Plêiades de estrelas da primavera, por acenderem depois do equinócio da primavera.

geminiGémeos

O mito relaciona-se com os irmãos gregos Dióscuros (dios kouroi = filhos de Zeus), Polideuces e Cástor, que o deus teve com Leda. Sempre em harmonia, nunca faziam nada sem o consentimento um do outro. O seu culto era muito popular entre os gregos e no sul da Itália. Eram irmãos de Helena, nascida de um ovo e causadora da guerra de Tróia.
Outra versão associa Zeus com um caso de amor com Nêmesis, a Necessidade, filha da Nyx, a Noite, uma entidade divina que possui aparições variadas, contra as quais nem mesmo os deuses do Olimpo podem fazer nada. Nêmesis, a mais bela, tem o nome da raiva justa que se abate contra os que desrespeitam a norma da natureza. [Nêmesis, aliás, empresta seu nome e seu carácter a um dos lotes (= partes) gregos referidos pelos astrólogos alexandrinos, tais como Paulus]. Zeus, enamorado dela, sentiu tal desejo que a perseguiu onde quer que ela fosse – Nêmesis era uma deusa alada.
Finalmente, conseguiu ter uma relação com ela – o deus transformado em cisne e a deusa em ganso – e desta união nasceram, de um ovo da cor do jacinto azul, Polideuces, Helena e Castor. Cástor era mortal , e durante uma guerra entre Esparta e Atenas, foi assassinado. Com grande pesar, Polideuces oferece metade de sua vida imortal ao irmão, então uma metade do ano Cástor submerge sob a terra, como quando a constelação se põe e por um dia os dois irmãos encontram-se juntos no Hades. Os Gémeos simbolizam o carácter dual do céu, ora dia, ora noite, com as estrelas da manhã e as do por-do-sol, assim como a cópia do que é criado – como exemplo, um dos Dióscuros é imortal enquanto o outro não o é.

leo2Leão

O mito associa-se ao leão do vale de Neméia, presente no primeiro trabalho de Héracles. Algumas versões afirmam que o leão era filho da deusa-serpente Equidna, aparentado, portanto, com a esfinge de Tebas. Outras, que vinha da estirpe de Tífon.
Há versões, ainda, que ligam o leão de Neméia à deusa Selene, a qual, cansada de sua companhia, atirou-o sobre o monte Apesa. O facto é que o leão aterrorizava a todos no lugar, e a tarefa de Héracles era matá-lo; coisa que o herói só conseguiu depois de um sono de 30 dias após o qual, desperto, enfeitou-se com uma grinalda de aipos – um vegetal associado aos infernos – e atacou o leão com uma maçã.
O leão corporificava a morte e o mundo subterrâneo – os túmulos quase sempre traziam leões esculpidos na sua parte superior. O herói matou o leão, retirou a sua pele com as garras do próprio e usava-a como um troféu, colocando-a – invulnerável, que ela era -, como também a cabeça do leão, sobre a sua própria e seus ombros. Compadecido de seu filho, Zeus transformou o leão na constelação do Zodíaco.
O mito associado ao signo e à constelação do Leão remonta à Babilônia. Seu primitivo zodíaco se refere ao solstício de verão.

cancer

Caranguejo (Cancer)

O mito relacionado à constelação e ao signo fala do caranguejo-gigante que guardava a toca onde a Hidra de Lerna morava. Um dos 12 trabalhos de Hércules consistiu em matar a Hidra de Lerna. Quando ele lutava contra a serpente de muitas cabeças – chamada também de ‘cadela de Lerna’, irmã de Cérbero, que guarda o portão de Hades, ou de ‘cobra d’água’, cujo hálito matava animais e homens -, teve o pé picado pelo caranguejo. Este foi então esmigalhado, depois, pelo mesmo pé. Como sinal de reconhecimento pelo devotado animal, que tinha sido enviado por Hera, esta deusa transformou o caranguejo em constelação, no ponto onde as almas dos seres humanos descem para as regiões infernais, na metade subterrânea do céu.
Também há uma ligação entre o caranguejo e os asnos – que ficam nas costas do primeiro – na constelação.
O asno é um animal muito importante na mitologia dos povos. Sua força simbólica chegou até o Renascimento europeu. Alguns autores contam que, durante a guerra entre os Titãs e os deuses do Olimpo, os deuses Dionisio, Hefesto e os Sátiros lutaram com asnos, e a confusão que provocaram causou a fuga dos gigantes titânicos. Por isso, foram colocados na constelação, no lado ocidental do caranguejo.
O simbolismo dos asnos foi perdendo a associação com o caranguejo ao longo dos séculos, mas tem relação com a vida e a morte; com sabedoria, mas também com teimosia, poder e humildade, além do seu caráter fálico. Tanto o mito do leão de Neméia quanto o do Caranguejo remontam à antiguidade oriental.

Virgem (Virgo)

virgo2A constelação e o signo referem-se à deusa Diké, filha de Zeus e Têmis, que vivia entre os homens até o momento em que a
humanidade se tornou injusta, tendo ido para os céus depois de desapontada com o rumo da vida na terra.
Outras fontes ligam o signo – e sua correspondente constelação – a Deméter, mãe de Perséfone e deusa da colheita e da agricultura.
Existem ainda outras associações, com Isis, Aragatis e também Tiké – ou tuké, a sorte (porque a constelação não tem cabeça e portanto não pensa, e assim é a sorte, que cabe aleatoriamente aos seres humanos) e ainda Erígone, filha de Icário, que teria tido uma relação com Dioniso.

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