Páscoa, cada um celebra a sua?

PÁSCOA
Celebra-se o que se sente?

Ora bem, cada um celebra o que sente e acredita, não é?
Claro que não… não se brinca com a Páscoa que é uma coisa muito séria e importante.

De repente os crentes criam todo um personagem sofredor para louvar um alegado acontecimento da forma mais errada possível: não tem data certa, não tem os dias bem contados como no livro de instruções (Bíblia) e, para variar, nem sequer está de acordo com os textos.

Todavia, não há problema algum, o que interessa é pendurar paninhos roxos (tradição milesiana), pôr um ar carrancudo e sério para beijar um pedaço de metal cheio de germes (tradição proibida pela Bíblia), pagar bulas às igrejas, distribuir amêndoas pejadas de veneno açucarado, comer quilos de chocolate e fingir que não vê o coelhinho em tudo quanto é canto.

O Período de Transição

É já incontornável, nos dias de hoje, perceber que esta é uma altura de transição, e naturalmente todas as culturas o assinalavam com maior ou menor intensidade. Para nós, se todas as festividades são uma mescla comercial conveniente, num sincretismo despudorado, a Páscoa é-o por excelência, o mais gritante dos exemplos.

Na génese, é uma época que anuncia o fim do Inverno e a chegada da Primavera, a passagem de um tempo de trevas para um tempo de luz e isto acontecia já muito antes da existência de qualquer cristão à face da Terra. Na Babilónia e Assíria celebrava-se o tempo de Ishtar, a deusa da fertilidade e da pureza juvenil herdada da festividade a Ninhursag da Suméria, ou Nin-Ki. O óvulo fértil e os animais de reprodução rápida como o coelho seriam os símbolos mais aclamados e cada sociedade foi aprimorando a sua versão pegando nos ciclos lunares como formas de contagem, de acordo com os ciclos de ovulação da mulher. Ao longo dos séculos é tão evidente a evolução que até linguisticamente se traçam paralelismos fáceis: Ishtar viaja para as línguas anglo-saxónicas dando origem a Easter (páscoa em inglês), nas línguas de origem latina fica-se confinado a Páscoa (do Pessach judaico).

Nos celtas a deusa Ishtar converte-se em Eöstre. Dada a complexidade e variedade de povos de inspiração celta ela toma vários nomes: Eostra, Astarte, Eastre, Estre, Austra, Ostertube, Esther, Ostera e Ostara. Os símbolos são os ovos e as lebres e dá-se uma clara importância ao papel das crianças em busca da fertilidade com histórias e brincadeiras tão usadas hoje, sem que se lhes note a origem. Procurar ovos escondidos, pintar e decorar os ovos e a lebre que põe ovos (da história goidélica e bretã em que Eöstre ressuscita um pássaro transmigrando-o para o corpo de uma lebre).
As mitologias greco-romanas absorvem Ishtar numa trindade sagrada de deuses irmãos: Eos, deusa do amanhecer e da aurora; Helios, deus menor do Sol; e, Selene, a deusa Lua. A mitologia nórdica, de uma Ishtar sincretisa uma Aesir, tornada em Frigga símbolo da protecção familiar, das mães, das donas-de-casa e da doçura.
Para o oriente, o mito de Ishtar é carregado por Hamsa, o espírito da renovação e o sopro divino, muitas vezes representada como uma gansa capaz de gerar o ovo cósmico na superfície das águas primordiais. Este ovo cósmico é depois a base das tradições chinesas que o adoptam como explicação do Yin e Yang, ou dos cinco elementos chineses.

Nem tudo o que sabemos é o que realmente foi…
Vamos a FACTOS… só que bíblicos!

Advento Bíblico

Milhares de anos volvidos e eis que o povo hebreu inicia a sua saga, tornando-se os criadores do texto bíblico, tão polemicamente desconhecido e mal interpretado hoje em dia.

O equinócio lentamente começa a ser a marca sideral para que todos os hebraicos relembrem uma senda importante de festividades, que só culminam em finais de Maio: o pessach, ou peschad ou paskha. A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egipto, conforme narrado no livro de Êxodo.

Com a subsequente apropriação de festividades por uma Roma recém-cristianizada, cada evento era substituído por outro que encaixasse no texto bíblico judaico e apostólico-romano. Naturalmente uma festividade, como o Pessach, que se estendia de forma tão alongada nos calendários romanos não era capaz de suplantar e suprimir as festas ditas pagãs e tão enraizadas em cada um dos povos que o império dominava.

Havia a clara necessidade de dominar o calendário num altura desta importância e para isso nada como repescar o evento mais fantasticamente intenso do novo testamento e entregar nas mãos de um bom romano a sua disseminação: Paulo de Tarso (apóstolo Paulo).

O Apóstolo Paulo foi o primeiro a mencionar sobre a Última Ceia e encaixar temporalmente. Ele escreveu: Por que recebi do Senhor o que eu também vos ensinei: O Senhor Jesus, na noite que foi traído, tomou o pão e, quando ele tinha dado graças, ele o partiu e disse: “Este é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim “. Da mesma forma, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: “Esta é o cálice da Nova Aliança no meu sangue; fazei isto, sempre que bebê-lo, em memória de mim”. Sempre que comer este pão e beber este cálice, vai estar anunciando a morte do Senhor até que ele venha. (1 Coríntios 11:23-26).

Através da estipulação deste evento colocar a morte, a ressurreição e cada momento da paixão de Cristo foi cabal para eliminar o peso das festividades pagãs. No Concílio de Niceia em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo e a festividade pascal cristã obrigatória proibindo qualquer outra festividade de Páscoa, com a excepção das judaicas que não coincidissem no calendário.

Este sincretismo foi igualmente usado para dominar o dia de Natal. Contudo se o Natal tem uma data certa porque a Páscoa não tem? Será que não há um dia exacto para a morte como o há para nascimento? Será que tapar as festas dos outros exigia este bailado de datas?

Ora bem, cada um celebra o que sente e acredita, não é?

O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 Março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a convenientemente definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Niceia em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”).

A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.

Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronómico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de Março e no máximo em 24 de Abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De facto, a sequência exacta de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

Vejamos as data de 1980 a 2024 como exemplos:

1980 Abril 61995 Abril 162010 Abril 4
1981 Abril 191996 Abril 72011 Abril 24
1982 Abril 111997 Março 302012 Abril 8
1983 Abril 31998 Abril 122013 Março 31
1984 Abril 221999 Abril 42014 Abril 20
1985 Abril 72000 Abril 232015 Abril 5
1986 Março 302001 Abril 152016 Março 27
1987 Abril 192002 Março 312017 Abril 16
1988 Abril 32003 Abril 202018 Abril 1
1989 Março 262004 Abril 112019 Abril 21
1990 Abril 152005 Março 272020 Abril 12
1991 Março 312006 Abril 162021 Abril 4
1992 Abril 192007 Abril 82022 Abril 17
1993 Abril 112008 Março 232023 Abril 9
1994 Abril 32009 Abril 122024 Março 31

No final das contas, a Páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente ditas pagãs) por uma ou outra figura da mitologia, tomando os significados do judaísmo, os símbolos celtas e sumérios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se um “ritual colcha de retalhos roxo”.

Mas não acredite em nada que leu…
Investigue!

[CONTRA FACTOS…]

Uma rubrica escrita em tom de crónica mordaz baseada em factos que pretendem oferecer uma visão mais realista sobre a verdade das coisas. Na era da informação a ignorância é uma escolha!

Comentários

error

Gostou da página? Partilhe-a! :)

Facebook
Facebook
Canal do YouTube
LinkedIn
Twitter
RSS
Seguir por Email